Diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. A insulina é o hormônio que tem a capacidade de utilizar a glicose que obtemos por meio de alimentação para fonte de energia. Se ela não age de forma correta, a glicose se acumula no sangue, resultando em hiperglicemia.
Os principais tipos de diabetes, embora existam outros, são o diabetes tipo 1, tipo 2 e gestacional.
Grande parte dos pacientes com diabetes tipo 1 descompensado apresentam sintomas. Por outro lado, pacientes com diabetes tipo 2 ou diabetes gestacional dificilmente apresentam sintomas.
Alguns dos sintomas possíveis são:
Um dos critérios para realização do diagnóstico de diabetes é a glicemia ao acaso (coletada em qualquer horário do dia) acima de 200 mg/dL associada aos sintomas clássicos de diabetes, como sede excessiva, aumento da frequência para urinar e perda de peso não intencional.
Glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dL, resultado da glicemia de 2 horas após receber 75 gramas de glicose (conhecido como teste de tolerância oral à glicose ou curva glicêmica) maior ou igual a 200 mg/dL e hemoglobina glicada maior ou igual a 6,5%, também são critérios. Entretanto, para fechar o diagnóstico com esses três critérios, é essencial ter dois exames alterados.
Para diagnóstico do diabetes na gravidez, recomenda-se que toda gestante seja submetida a uma glicemia de jejum no início da gestação. Esse exame precisa estar abaixo de 92 mg/dl para ser considerado normal.
Caso já neste primeiro exame exista alguma alteração, o tratamento deve ser instituído e provavelmente essa paciente já tinha diabetes e/ou pré diabetes prévio a gravidez.
Caso este primeiro exame esteja normal, a partir da 24 semana de gravidez está indicado um teste de glicemia após sobrecarga com glicose, o chamado teste oral de tolerância à glicose. O diagnóstico de diabetes gestacional é feito caso a glicose no sangue venha com valores iguais ou maiores a 92 mg/dl no jejum ou 180 mg/dl e 153 mg/dl respectivamente 1 hora e 2 horas após a ingestão do açúcar.
O tratamento do diabetes, seja ele qual tipo for, deve se basear em três pilares:
A atividade física, de um modo geral, deve conter exercícios aeróbios e também musculação. Antes de iniciá-la é importante passar por avaliação com seu endocrinologista e cardiologista, pois algumas complicações do diabetes podem contra-indicar alguns exercícios.
A alimentação do paciente com diabetes deve ser a mais saudável possível: restrição de açúcar, carboidratos simples (dar sempre preferência aos integrais) e gorduras saturadas é sua base. Costumo dizer que um paciente com diabetes deve comer igual todas as pessoas deveriam comer, pois ninguém deveria abusar de doces, carboidratos simples e gorduras saturadas.
Já em relação às medicações, cada tipo de diabetes têm um tratamento diferente:
Importante deixar claro que o gerenciamento adequado da taxa de glicemia reduz drasticamente o risco de complicações e que essas orientações são gerais!!! Cada paciente deve ser acompanhado por seu Endocrinologista, pois o importante é a individualização do tratamento para o melhor controle glicêmico possível!
É importante sempre lembrar e frisar que o tratamento do diabetes é necessário para evitar as complicações da doença, que podem trazer morbidade importante, diminuir tempo de trabalho e de vida. Isso ocorre porque, a longo prazo, a hiperglicemia (altas taxas de açúcar no sangue) danifica nervos e vasos sanguíneos.
Vamos dividir didaticamente as principais complicações do diabetes em três categorias:
Hoje sabe-se que casos de diabetes tipo 2 recém diagnosticados podem entrar em remissão com modificação de estilo de vida e perda de peso em torno de 15%. Lembrando que é muito importante a manutenção dessas mudanças pois, caso o paciente aumente de peso novamente, a glicemia provavelmente irá voltar a aumentar.
Fonte: O essencial em Endocrinologia. Patricia Sales, Alfredo Halpern, Cintia Cercato. 1 ed – Rio de Janeiro: Roca, 2016.